sexta-feira, 10 de janeiro de 2014



ASAS DA POESIA


Desfraldadas.
Ao vento.
Pensamento.
Não há barreiras
para sonhar.
Sou provida de asas...
Só posso
voar.
Nasci para poetar.


sonia delsin 



SILENCIOSAMENTE


Você entrou na minha vida
silenciosamente.
Invadiu meus porões.
Remexeu tudo
procurando um ser que se escondia
lá dentro.
No mais fundo de mim.
Você me encontrou num espelho.
Os espelhos do tempo se refletiam.
Nós conversávamos com vozes
que se calavam.
Nós nos tocávamos como anjos
que transcendem o agora.
Nossos caminhos estavam traçados.
Estava escrito que nós dois estaríamos
eternamente grudados.
Mesmo distantes jamais
estaríamos separados.

sonia delsin 



CARREGANDO PEDRAS



Passei o caminho todo a olhar o chão naquele dia.
Buscava alguma coisa.
Uma alegria.
E as pedras me davam.
Fui enchendo uma sacola delas.
Se fizeram pesadas.
E eu nas minhas passadas...
Que tempo era aquele? Eu me pergunto.
Era o tempo da descoberta.
Eu buscava e estava certa.
Buscava a libertação de mim.
Era um tempo ruim.
Mas necessário.
Tão distante achei as respostas.
Numa terra que passei a amar.
Um dia pra lá quero voltar.

sonia delsin 



FEZ-SE LUZ

Da noite aterradora não ficaram lembranças.
Fez-se luz.
Quando a luz se faz a escuridão desaparece.
Foi tanta prece.
Tanto desejo.
De que a noite se fosse.
E foi.
Fez-se luz.
A claridade me trouxe felicidade.
Tudo posso naquele que confio.
Hoje eu rio.
Não do mundo, nem de mim.
Mas para o mundo e para mim.
Fez-se luz...
Acredito numa força maior e esta força também vive em meu interior.
Acredito no meu Senhor.



sonia delsin 



LAGOA ENCANTADA


Meu corpo lá é luz.
É luz n’água.
Meu corpo lá se encolhe todo.
Vira um ponto de luz.
Lagoa encantada.
No peito guardada.
Sou lembrança nela.
Ela em mim.
É bem assim.
Eu a lagoa temos segredos.
Contei dos meus medos.
E ela me contou das sombras que descem repentinamente.
Lá é um tempo diferente.



sonia delsin 



UMA CANÇÃO DE ONTEM...

Tristemente as notas se espalhavam por todos os recintos.
Impregnavam paredes, móveis.
Até as flores dos vasos.
Impregnavam a porcelana cara, as pratarias, os cristais...
Isto foi ontem.
Lá fora brilhava um sol que as cortinas pesadas encobriam.
O dia não era vivido.
Não em plenitude.
E veio a morte, na juventude.
Isto foi ontem.
E o tempo que guarda o ontem veio tentar recuperar.
No hoje não chegaram os campos de trigo.
Nem chegaram as fontes escondidas.
Não chegaram os gramados.
Nem os jardins floridos.
No hoje chegaram apenas lembranças.
Chegaram tranças, crianças.
Danças...
No hoje chegou uma alegria que o ontem não tinha.
Mas em meio dela.
Lá no fundo escondida a tristeza se mantinha.

sonia delsin 



PARA TI


Estou construindo um castelo.
Não de areia e nem de cartas.
Nem de sonhos.
Ou de ventos.
Estou construindo uma fortaleza para aguardar o meu amado.
O que é meu está guardado.



sonia delsin 



FIAPOS DE ILUSÃO



Estou tecendo uma manta.
Com fiapos de ilusão.
Não posso deixar ressecar o meu coração.
Estou tecendo um abrigo pra meu amado.
Quando ele chegar tudo vai estar preparado.
Caldo quente, lareira, chá perfumado.
Tudo que ele possa desejar pra se esquentar.
Porque sinto que é no inverno que ele vai me encontrar.
Estou preparando uma cama macia.
Quero que ele sinta ao meu lado extrema alegria.
Sei que na hora que eu menos esperar ele vai chegar.
E estarei prontinha pra meu amor lhe entregar.

sonia delsin 




PELA ETERNIDADE AFORA

Vamos embora?
Pela eternidade afora...
Nós,
Tantos nós

A sós
Sem nós
Lembrança dos nós
Do tempo que ficávamos a sós

sonia delsin 



PALHAÇA



Palhaça das perdidas ilusões.
Maquiagem borrada.
Lágrima derrubada.
Fui uma palhaça de cara lavada.
De alma machucada.
Mas tudo dura o tempo de um sonho.
Não se pode viver de um constante abandono.
Se palhaça eu fui o palco não me guardou, nem me expulsou.
A cortina baixou.
A palhaça se retirou...
Lentamente caminha desvestindo a roupa colorida.
Anda de bem com a vida.
Anda trazendo na face corada um sorriso de verdade.
Vive sem maldade.
Quase sem vaidade.
Vive bem a sua nova realidade.

sonia delsin 



SOMOS DOIS LOUCOS


Somos sim.
Dois insanos.
Alienados... coitados.
Que nada!
Somos dois seres abençoados.
Estamos provando algo espetacular.
É muito lindo o amar.
O se apaixonar.
Se vai durar?
Vamos vivenciar.
Sem nada perguntar.
Somos dois loucos...
Nossa história de amor uma hora eu vou contar.
Ninguém vai acreditar.
Mas aposto que todos vão gostar.


sonia delsin 



NUNCA MAIS COMO ANTES



Nunca mais o domingo terá aquele ar de festa.
Tão pouco lhe resta.
Nunca mais o cheiro de pão caseiro irá te inundar inteiro.
Nunca mais flores lhe chegarão às mãos vindas deliciosamente frescas,
recém apanhadas.
Nunca mais gostosas gargalhadas.
Nunca mais como antes.
Nunca mais a tralha de pesca precisará arrumar.
Nunca mais sua amada irá lhe convidar pra pescar.
Nunca mais...
Nunca mais caminhadas.
Nunca mais na areia as pegadas.
Nunca mais os abraços quentes.
Os beijos ferventes.
Nunca mais.
Tudo faz parte de um cenário de sonho.
Faz parte de um tempo morto. Enterrado.
Um tempo vivenciado.
E acabado.

sonia delsin 



ONDE O SONHO MORA?


Lá distante?
Onde nasce a lua?
Atrás do monte?
Lá distante?
Onde morre o sol?
Onde mora o sonho?
Mora em mim.
Sou sonhadora.
Sou assim.
Hoje quero dormir numa cama cheirando a alecrim.
Ou quero adormecer num banco de jardim.
Sob o pé de jasmim...
Sou assim.
Igual a borboleta posso voar...sonhar...alcançar o mundo que consigo imaginar.
E hoje quero outro lugar.
Quero a cabeça descansar noutras paragens.
Por isso busco estas viagens.


sonia delsin 



LASCIVA



Ela tinha toda a gingação.
Mostrava toda sua agitação.
Vestia rosa-choque naquele dia.
Tinha todo o movimento.
A alegria.
O requebrar.
Era uma mulher pra sua presença marcar.
E marcou.
Quem dela não comentou?
Linda mulher sensual.
De sorriso sem igual.
De corpo sensacional.
Trazia, que eu sabia, dentro de si uma tristeza tal.

sonia delsin 



CONQUISTA-ME


Conquista-me com estas palavras poucas.
Com estas palavras roucas.
Conquista-me porque meus ouvidos andam tão ansiosos por palavras de amor.
Conquista-me com estes teus serenos olhos.
Busquei tanto a água pura da montanha.
Busquei tanto a mais leve brisa.
E agora ela chega e me alisa.

sonia delsin 



PLANTASTE


Plantaste em meu ventre os benditos frutos.
Plantaste.
Colhi como quem colhe o trigo maduro.
Eu juro.
Colhi e saboreei.
Ser mãe foi minha maior glória.
Minha maior vitória.
Plantaste e te proclamei rei.
Por isso tanto me dei.
Nos caminhos do mundo te desviaste.
Mas bons frutos me deixaste.


sonia delsin 



BONHEIR DE SUCRERIE


Que ventura te conhecer!
A gente nunca para de aprender.
Além-mar existe um mundo.
Existe.
Existe um homem profundo.
Existe.
Como é estranho o viver.
Sempre pode nos surpreender.

sonia delsin 



ÚLTIMAS PALAVRAS

Minha mãe!
Nossa Senhora!
Foram as últimas palavras de meu pai
E ele foi embora
Foi assim como bolha que estoura no ar
Foi com Deus morar
...
Têm dias que bate uma saudade
daquele homem querido
Uma vontade de abraçar, beijar...
...
Fiz tantas preces
Ele terá ouvido?
Hoje o vejo como uma luz que se amplia
Não o vejo como naquele dia
...
“o dia de sua morte”
...
Pai
O que eu lhe dizia era verdade...
...quando eu tentava lhe explicar um pouquinho do que eu entendia de Eternidade?

 sonia delsin 



GUARDO

A leveza de nossas horas de amor
Guardo
...
Ó, como guardo
...
E aguardo
O outro tempo de nós

sonia delsin 



SOMOS SILÊNCIO E SONHOS

Pra que falar?
Não é melhor silenciar?
Somos feitos de silêncio e sonhos...

sonia delsin 



VEZ EM QUANDO...

Vez em quando eu vou buscá-lo
Me pego a desejá-lo
Em minha vida
Lembrança querida


sonia delsin 



MANHÃ RADIANTE


na clara manhã prendo os olhos
no sol
na casa simples
na vida
na vida que flui


sonia delsin 



EM QUE ESPELHO?

O que foi feito dos nossos passos?
Dos nossos laços?
Dos nossos traços?
...
Em que espelho deixei meu sorriso?
Tudo isso foi preciso?


sonia delsin 



LOUCA DE AMOR, LOUCA DE DOR


Louca de amor pela rua ela ia.
Não sabia mais o que era a alegria.
Na madrugada saía.
Dava até pena de ver.
Saía para se esconder.
Da dor queria fugir.
Não sabia para onde ir.
Mas saía.
Olhava o céu.
Contava estrelas.
Deixava que o luar a banhasse.
Deixava que a brisa leve a tocasse.
Virava ventania.
Ela se encolhia.
Sofria.
Pela rua ia...
Dava pena.
Um espectro parecia.


sonia delsin 



EU CONFIO EM TI, MEU SENHOR



Eu acredito numa força maior que me rege.
Que nunca me abandona.
Que sempre me protege.
Acredito piamente que esta força me guia.
Quando sinto agonia.
Quando sinto alegria.
Ela não retira os espinhos do meu caminho porque eu necessito deles.
Como necessito das pedras e das flores.
Ela me proporciona a alegria nos meus amores.
E as dores...
Porque eu seria incompleta se não as provasse.
Se no correr da vida eu nunca escorregasse.
Os tombos são necessários.
E quando me ergo é que mostro que no meu Senhor eu confio.
Que eu tremo de frio.
Mas sei que existe o cobertor.
Sou abençoada pelo seu grande amor.
Eu confio em ti, meu Senhor.

sonia delsin 



A CANOA VIROU


Quem ria chorou.
A canoa virou.
O barco soçobrou.
No mar da vida pena agora quem tanta vantagem levou.

sonia delsin 



TUA EU SOU?


Eu sou tua quando a lua...
Ah, quando a lua desliza mansa.
Quando repousa a tua eterna criança.
Sou tua...
Sou tua toda nua...
Quando lá fora é silêncio na rua.
Esta é uma verdade crua.
Tua...
Tua eu sou no faz de conta das tuas noites.
Quando os ventos nas janelas são açoites.
Sou tua quando o vinho na taça chega a transbordar.
No teu despertar.
Sou tua no teu imaginar.
Sou tua porque te convém este sonhar.
Sou tua... ainda que nunca, nunca vamos nos encontrar...

sonia delsin 



ESTA NOITE... NÓS


Que delícia!
Como esta noite nós dançamos!
Como nos olhamos!
Esta noite... nós.

Acho que nos descobrimos esta noite.
Do frio lá fora nem lembramos.
Nós que somos tão sós.
Esta noite... nós.

Tuas mãos me tocavam suavemente.
Eu sentia teu hálito quente.
Te sentia tão presente.
Nós... esta noite... nós...

Não quero pensar no amanhã, nem no depois.
Com a sensação desta noite quero ficar somente.
Sem pensar no que pode existir lá na frente.
Nós...

sonia delsin 


ME AFOGANDO NOS TEUS OLHOS


Onda vai, onda vem.
Os olhos do meu bem...
Onda vai, onda vem.
Me deixo levar.
Me deixo escorregar pra dentro do mar...
Deixo que me leve ao fundo.
De teu olhar profundo.

sonia delsin 



SÓ PRA DIZER QUE TE AMO



Ainda que os barcos pareçam cascas de nozes.
Que os mares eles não tenham singrado.
Ainda que as flores não tenham vicejado.

Ainda que as estrelas estejam tão longínquas e não se debrucem para mim como eu desejaria.
Ainda que não chegue o dia.

Ainda que a estória seja tão inócua.
Que a tarde seja monótona e vazia.
Ainda assim eu sou capaz de construir uma poesia.

É só pra dizer que te amo que eu vim até aqui...
Quase desisti.
Mas resisti.

É uma causa nobre.
Nunca que vou escrever em cada muro ou em cada folha de papel
de meu amor.
Mas em cada poema que escrevo eu tento com todo meu ardor.

Eu vim aqui falar de amor, do meu grande amor.
Eu te amo.
Ainda que seja um amor dolorido.
Ainda que não seja correspondido.

sonia delsin 



“DESTINO”


Vejo o sol a pino.
Acordei e vim buscar-te, amado.
Das brumas do passado.
Vim sedenta.
Ansiosa.
Vim como esta rosa
Ela quer desabrochar antes do dia apontar.
Tem uma urgência.
Não quer que o orvalho a deixe antes que o primeiro raio de sol a abrace.
É o destino de toda rosa vermelha?
Ser louca por um beijo do sol...
Ser louca por uma carícia ao arrebol...
Ser romântica ao extremo?
Não sei...
Confesso que desconheço porque minha alma é assim como a da rosa.
Meus olhos correm por todo canto.
Caio em pranto.
E tu não vens.
É o destino este desencontro que marcou nossas vidas?
Exagero aos expor as feridas?

sonia delsin 



SAUDADE


Saudade de teus olhos profundos.
Do teu olhar.
Saudade do teu jeito de me falar.
Me acarinhando toda sem me tocar.

Saudade de tua boca que eu gosto tanto de beijar.
Saudade que está quase a me matar.

Mas eu serei forte.
Resistirei até a morte.

Não vou mais te procurar.
Vou te evitar.
Teu telefone da memória eu vou apagar.

Saudade de ti.
Saudade...

Dizem que ter saudade é ter de novo o que não se tem.
Que chega a fazer bem.



sonia delsin 



VOEI...



Abri as asas
Voei
De encontro aos sonhos
De encontro a meus devaneios
Tão bom voar!
Tão bom encontrar o brilho do teu olhar!

sonia delsin



TEM MAGIA NESTE AMOR


Eu te amei na madrugada... calada...
Te amei ao meio-dia.
O dia ardia e eu escrevia poesia.
Eu te amei quando a tarde morria.
Anoitecia.
Meu coração doía.
Te amei e isto me causou tanta dor.
E tanta alegria.
Sei que não se vive de fantasia.
Mas neste amor tem magia.


sonia delsin 



NO FUNDO DO MAR


Um grão de areia.
Um segredo.
O seu medo.
No interior de uma concha ele se esconde.
Aquele corpo estranho ela envolve lentamente com um líquido quase transparente.
O grão de areia vai se sentindo diferente. Diferente.
A concha é envolvente.
O tempo passa...
O mar guarda o segredo.
A ostra.
O grão de areia transformado.
Um dia um pescador descobre no interior daquela ostra uma linda pérola.
No silêncio do fundo do mar o milagre foi realizado.

sonia delsin 



É PECADO?


É pecado o meu sentimento?
É pecado?
Meu amado.
Se pensas assim estás tão enganado.
Que pecado existe no amar?
Que pecado existe num sentimento tão forte?
Que resiste ao tempo...
Que vence a morte...
Que pela eternidade dá os primeiros passos como criança que está aprendendo a andar.
Descobrindo os encantos e magias de caminhar.
É pecado um sentimento que nos dá forças para voar?
Um sentimento que nos coloca no mais alto dos pódios quando nosso amado um sorriso vem nos entregar.
É pecado ouvir uma voz e ela nos penetrar... como se fosse uma agulha fina que viesse nosso coração costurar.
Não sei nesta vida o que é pecar.
Só sei o que é amar.
E não creio que amar seja pecado.
Acho que amar é o sentimento mais puro e mais delicado.


sonia delsin 



COMO MACHUCASTE MEU CORAÇÃO!


Homem gelado.
Guardado no passado.
Há horas em que eu recordo.
Como machucaste meu coração!
Me dizias que eu era sensível demais.
Eu te achei um insensível.
Me tiraste a paz.
Quase me arrancaste do coração toda a alegria.
O que me salvou foi a poesia.
Como machucaste meu coração!
E nem te deste conta não.

sonia delsin 



DESEJO INTENSO



Tuas mãos me tocam sem me tocar.
Tocam no imaginar.
Tua boca vem me beijar.
Ainda que nossos lábios não puderam encostar.
Existe o desejo e é intenso.
Quantas vezes em ti eu penso.
Eu vou ao teu encontro de olho fechado.
Sinto teu corpo ao meu encostado.
Sinto que és meu amado.
Meu amado que vive distante.
Que me chega num instante.
E junto com tua imagem e tuas palavras chegam ondas que vêem me queimar.
Eu me deixo levar neste sonhar.
É tão bom.
Por que não vou nas asas dos sonhos me deixar levar?
Eu ouço tua voz.
Fecho os olhos e tu me penetras o corpo e aquece meu sangue nas veias.
Penso que o mundo vive a nos surpreender.
Quem imaginou que vivendo tão distantes íamos desta forma nos conhecer?

sonia delsin 



É MAGIA ESTE MOMENTO



De tão distante.
Sua voz me chega.
Ela vem trazer alento ao meu coração.
Vem carregada de paixão.
Me aquece.
Toda tristeza desaparece.
Sua voz me chega.
Chega preenchendo todos os meus vazios.
Me trazendo rios.
Rios de alegria.
Sua voz é magia.

sonia delsin 



CASA DE VIDRO



Ela tem uma aparência atraente.
Acontece que ela foi construída sobre a desgraça alheia.
E quem faz isso constrói é a própria teia.
Que chega a aprisionar uma vítima inocente.

Faz e desfaz.
Mas será que terá paz?

Talvez um dia um vento forte destrua esta casa de vidro.
Espatife-a toda.
Talvez esta destruição seja a lição.
Talvez não.

Quem é que sabe?
Ela parece ao sol reluzente.
Engana tanta gente...

Casa de vidro... no seu interior...
Sobra tanta coisa...
...falta é amor.

sonia delsin 



VOAR FAZ PARTE


Tudo faz parte de nosso viver.
Podemos voar sim.
Quem nos limita?
Só nós mesmos é que podemos nos limitar.
Eu adoro voar.
Mesmo que seja apenas no meu imaginar.
Vivencio situações.
Paixões.
Emoções.
Fantasio.
Crio.
Rio...
A vida o que é afinal senão um punhado de ilusões?

sonia delsin 



AONDE EU VOU BUSCAR?


Sabes aonde eu vou buscar forças para continuar?
No azul de teu olhar.
Filho, eu consigo escalar os montes, consigo buscar novos horizontes.
Por amor a ti.
Um dia eu estava desanimada.
Achando a vida uma maçada.
E tu me fitaste.
Nada falaste.
Ficaste só a me olhar.
A partir deste dia eu mudei completamente.
Encontrei forças novamente.
Dou a vida para te ver contente.
Filho, o teu riso pra mim é paraíso.


sonia delsin 



QUANDO QUISERES


Quando quiseres me encontrar...
Tens meus números dos telefones.
Do fixo, do celular.
Meu endereço também conheces.
Sabes tanto de mim.
Sabes aonde me achar.
Sabes tão bem que eu nunca deixei de te amar...

Quando quiseres basta ligar.
Se teu número aparecer no meu visor tão feliz vou ficar.
A emoção será tanta que posso nem conseguir falar.
Temo até muda ficar.
Mas ligue, apareça.
Aconteça.

Quando quiseres... estou a te esperar...


sonia delsin 



DESENCONTROS


Numa rua chamada Desejo
encontrei o seu
beijo.

Numa rua chamada Asas
meu coração ficou
em brasas.

Numa rua chama Paixão
perdi a razão.

Numa rua chamada Solidão
encontrei o seu
não.

Numa rua chamada Desilusão...
... então...
já estava partido
o meu coração.

sonia delsin  


FAÇA DE CONTA


Faça de conta que eu nunca cheguei.
Que eu nunca parti.
Que eu nunca chorei.
Que eu nunca sorri.
Faça de conta que eu nem existi.

Faça de conta que aquelas tardes não existiram.
Que as pessoas não nos viram.
Mãos dadas a caminhar.
Faça de conta que nunca podemos nesta vida nos encontrar.

Faça de conta que eu também vou tentar fazer
Pra não sofrer.


sonia delsin 



MADRUGADA PÚRPURA


Mãos estreitadas.
As minhas.
Chegam a doer.
O que quero espremer?
Da lembrança quero correr.
E ela chega.
Lembrança de tua mão.
Tua mão que a minha pegava.
E ao céu chegava.
Deus!
Estou tão só.
É tão negra a madrugada.
É um breu.
Lágrimas vêm meu rosto molhar.
Começam a rolar.
De repente uma claridade.
Parece que no meu quarto entram todas as luzes da cidade.
Meu coração começa a disparar.
Parece um cavalo a galopar.
Ouço um som.
É tua voz que ouço.
Dos confins da lembrança.
Pareço criança.
Me empolgo.
Sinto vontade de levantar.
E te procurar.
Mas por uma razão que desconheço tua voz que eu cheguei a escutar começa a se calar.
Silencia tudo.
O quarto volta a escurecer.
Eu digo a mim mesma.
Chega de sofrer.
Eu que tanto aprendi nesta vida não aprendi a te esquecer.


sonia delsin 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014



DESCONHECIDO



Não sei a quem pertence o rosto que analiso.
Não sei...
Esses olhos eu nem conheço.
Mas com eles me enterneço.
Não sei a quem pertence este leve sorriso escarnecido.
Quem seria?
Nele alguma coisa me angustia.
Não sei a quem pertence esta face.
Confesso que chega a me assustar.
E fica a me chamar.
Quero olhar, olhar.
Buscar, buscar.
O quê? Resposta?
Um tempo morto estou a buscar?
Onde este rosto deve estar dormindo?
 Em algum espelho... em alguma gaveta repleta?
Será que o guardo na minha canção predileta?
Mora a lembrança apenas numa fotografia?
Este rosto, que agonia!

sonia delsin 



CORAÇÃO SANGRANDO


Que faço com este coração que está sangrando?
Que faço comigo hoje que não consigo rir?
Eu olho tudo que gosto.
Continuo achando tudo bonito, mas o riso não vem.
Eu até consigo cantarolar.
Mas o canto não consegue me alegrar.
Eu nem tentei dançar.
Sei que não vou conseguir.
Hoje não. Hoje está doendo meu coração.
Eu pensei que a ferida estava cicatrizada.
Estava enganada.



sonia delsin 



MEU DRAGÃO


O que é que eu tenho feito?
Eu tenho enfrentado meu dragão.
Tem dias que ele me cospe fogo.
Ele vem como um vulcão.

Eu me desvio, eu corro.
Peço socorro.

Em outras vezes o enfrento em silêncio.
Com paciência e ele vai embora.
Que alívio eu sinto nessa hora.

Noutro dia ele volta.
Minha alegria ele vem roubar.
Com lágrimas as feridas volto a lavar.

Novamente ele some.
Parece que me deixou em paz.
Penso.
Não vai voltar mais.

E quando menos espero o dragão aparece.
Entro em prece.
Assim é que estou caminhando.
Meu dragão enfrentando.



sonia delsin 



SE ESTÁTUA EU FOSSE...



No meio da noite mais escura fico ouvindo o silêncio.
Fico imóvel como se fosse uma estátua.
Estátua de sal?
De açúcar que se derrete à chuva?
Não, uma estátua de mármore.
Linda estátua que na noite fria não se arrepia com o orvalho.
Ah, quem dera que estátua fosse!
Gelada, fria.
Insensível.
Não me importando com o vento.
Com o silêncio...
Ah, quem me dera!
No meio do dia viriam pássaros pousar nos meus ombros.
E uma borboleta ousada sobre meu nariz descansaria.
Insensível em meio ao barulho eu ficaria.
No meio da noite só posso pensar.
Uma estátua me imaginar...
Esperando o dia nascer.
Esperando a tristeza passar.

sonia delsin